México 1962

Sem grandes adversários no próprio continente o México já chegava a sua quinta participação nas sete Copas disputadas. No entanto, desta vez ainda teve que passar pelo Paraguai em uma repescagem intercontinental.

Mesmo com essa soberania continental as coisas não eram tão simples quando a bola rolava na Copa do Mundo, e o México sempre ocupava as últimas colocações do Mundial. Em 62 quando os grupos foram sorteado ficou claro que o roteiro mexicano não seria muito diferente dos anteriores. Em um grupo muito forte, com o Brasil (atual campeão), a poderosa Espanha (com a base do Real Madrid e seus jogadores naturalizados) e com a sempre complicada Tchecoslováquia os mexicanos teriam que contar com a sorte para conquistar alguns pontinhos.

Pela terceira vez nas últimas quatro Copas, Brasil e México se enfrentam na estreia e pela terceira vez o México perdeu. No entanto, ao contrário das duas goleadas anteriores, dessa vez os mexicanos conseguiram endurecer o jogo e o experiente goleiro Carbajal segurou o empate até o início do segundo tempo. O Brasil teve tempo de marcar duas vezes e o México perdeu por 2 a 0.

A segunda partida foi ainda mais surpreendente, Espanha e México fizeram um jogo aberto com muitas chances de gol. Qualquer um poderia vencer, mas um empate já seria considerado uma conquista para os mexicanos. Até que aos 44 minutos do segundo tempo os espanhóis marcaram o gol da vitória. A derrota deixou um gosto amargo e eliminou as chances mexicanas de prosseguir no Mundial.

Na última partida da primeira fase o México enfrentou a Tchecoslováquia, a bola mal tinha rolado e “La TRI” já estavam atrás no marcador, os tchecos abriram o placar com apenas 20 segundos de jogo (gol mais rápido da Histórias das Copas até 2002). Parecia que os mexicanos sofreriam mais uma derrota, mas no dia em que Carbajal completava 33 anos as coisas foram diferentes. Os mexicanos viraram a partida ainda no primeiro tempo e marcaram mais um na segunda etapa. O placar de 3 a 1 foi histórico e depois de 12 derrotas e 1 empate os mexicanos conquistavam sua primeira vitória em Copas. Com o resultado os mexicanos ainda passaram à frente da Espanha na classificação geral ficando na 11ª colocação (melhor até então) e pela primeira vez não foram os lanternas do grupo.

Em 62 a Seleção Mexicana permaneceu usando o uniforme adotado em 58, Camisa e meias verdes com calção branco e no peito o logo com as cores da bandeira nacional. A novidade estava na gola e nas mangas que também traziam as três listras da bandeira e davam todo um charme à camisa.

PRIMEIRO UNIFORME

Esse uniforme foi usado nas partidas contra Brasil e Espanha, mas a primeira vitória mexicana na partida contra os tchecos foi conquistada com a camisa original Grená e o calção e as meias escuras que então eram usados como uniforme reserva.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Carbajal usou o mesmo uniforme nas três partidas: camisa pretas, calção branco e meias verdes.

UNIFORME DE GOLEIRO

Espanha 1962

A Espanha chega ao seu terceiro mundial depois de duas participações dignas, 5º em 34 e 4º em 50. Ainda assim, desta vez as expectativas eram muito maiores, a naturalização das estrelas internacionais Santamaría, Di Stefano e Puskas colocam “La Furia” com status de favorita ao título.

Depois de passar por País de Gales nas eliminatórias europeias e por Marrocos na repescagem intercontinental os espanhóis caíram em um grupo extremamente forte na Copa. Além da Espanha o Grupo III contava com Brasil e Tchecoslováquia (equipes que posteriormente fariam a final deste Mundial) e com a fraca equipe mexicana.

Enquanto o Brasil estreava tranquilamente contra o México, Espanha e Tchecoslováquia já disputavam um mata-mata logo na primeira partida. Mesmo com a ausência de Di Stefano, machucado, os espanhóis contavam com o incrível ataque do Real Madrid a sua disposição e eram amplamente favoritos. Ainda assim, os tchecos conseguiram segurar o ataque espanhol e faltando 10 minutos para o término do jogo abriram o placar em uma arrancada de contra-ataque. A Espanha perdeu por 1 a 0 e se complicou no grupo.

Na segunda rodada espanhóis e mexicanos se enfrentaram precisando da vitória para permanecerem vivos na disputa. O jogo foi aberto e as duas equipes foram para o ataque, e mesmo criando chances mais clara a Espanha sempre parava nas mãos do experiente goleiro Carbajal. O jogo ia se encaminhando para um empate sem gols até que no último minuto Pieró pegou um rebote da defesa e marcou o gol da vitória. Mesmo com o resultado de 1 a 0 os espanhóis ainda precisavam passar pelo Brasil para seguir em frente.

Fechando a fase de grupos os espanhóis enfrentaram um Brasil acuado e assustado pela ausência de Pelé, machucado na partida anterior. A Espanha encurralou o Brasil e abriu o placar no final do primeiro tempo. Na segunda etapa a dinâmica continuou e os espanhóis teriam marcado o segundo gol se não fosse uma bela ajuda do Juiz chileno Sergio Bustamante. Primeiro Nilton Santos derrubou Collar dentro da área, mas deu um passo para fora iludindo o arbitro que marcou apenas falta. Na cobrança da falta Puskas levantou a bola e Pieró marcou de bicicleta, mas novamente o juiz interveio marcando pé alto na jogada. Com o ânimo renovado depois desses lances o Brasil partiu para o ataque e marcou duas vezes virando a partida. Com a derrota por 2 a 1 a Espanha foi surpreendentemente eliminada ainda na primeira faze ficando na última colocação do grupo e 12ª na geral, atrás inclusive do México que conquistou uma vitória improvável contra a Tchecoslováquia na última partida.

Nessa Copa a “Furia Roja” usou seu uniforme tradicional em todas as paridas camisa vermelha cação azul e meias pretas com detalhes em vermelho e amarelo.

PRIMEIRO UNIFORME

Os goleiros Carmelo Cedrún e José Araquistáin usaram um uniforme com camisas pretas e calções e mais iguais aos dos jogadores de linha.

UNIFORME DE GOLEIRO

Uruguai 1962

Depois da ausência na Copa de 58 os uruguaios retornaram ao Mundial passando pela Bolívia nas eliminatórias e mesmo caindo em um grupo complicado com União Soviética, Iugoslávia e a estreante Colômbia a equipe celeste era uma das favoritas.

Contudo quando a bola rolou as coisas se complicaram. Na estreia o adversário foi a conhecida Colômbia e mesmo com o amplo retrospecto positivo os cafeteros saíram na frente. No segundo tempo os uruguaios conseguiram a virada para 2 a 1, evitando um vexame maior.

A segunda partida foi contra a Iugoslávia e dessa vez foram os sul-americanos que abriram o placar, no entanto sofreram a virada ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa os europeus marcaram mais um e depois disso o futebol deu lugar a violência e a partida terminou em 3 a 1 para a Iugoslávia.

Fechando a primeira fase o Uruguai enfrentou a União Soviética que precisa apenas do empate para seguir na competição. Os uruguaios que precisavam da vitória foram para o ataque, no entanto acabaram sofrente o primeiro gol no final do primeiro tempo. Depois de muita luta eles conseguiram buscar o empate no início do segundo tempo. Contudo, na sequência perderam o defensor Eliseo Alvarez machucado e com um homem a menos e extenuados sofreram um gol no minuto final da partida. Com a derrota por 2 a 1 o Uruguai, que tinha como pior campanha um 4º lugar em 54, foi eliminado da Copa ainda na primeira fase e ficou na 13ª colocação.

Nessa Copa o Uruguai usou um uniforme praticamente igual ao usado 8 anos antes no Mundial de 54, as únicas diferenças era os detalhes nas meias e a cor da numeração que passou a ser branca.

PRIMEIRO UNIFORME

Esse uniforme foi usado nas partidas contra a Iugoslávia e contra a união Soviética, contudo na estreia contra a Colômbia a “Celeste Olímpica” entrou em campo com camisas vermelhas, usando seu uniforme reserva pela primeira vez em Copas.

A camisa vermelha passou a ser usada depois de uma serie de amistosos contra a Argentina em 1932. Como as duas equipes usavam o azul celeste em suas camisas, combinaram de mudar as cores para se enfrentarem. A Argentina usou camisas todas brancas e o Uruguai usou vermelho. Depois disso o Uruguai decidiu usar a camisa vermelha para disputar a Copa América de 1935 e foi campeão, mesmo com o amplo favoritismo da Argentina. Dessa forma consideraram que a camisa vermelha dava sorte e ela voltou a ser usada em algumas oportunidades e foi até usada como o uniforme reserva oficiam entre 1991 e 2010.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Roberto Sosa usou um uniforme todo negro nesse mundial

UNIFORME DE GOLEIRO

Colômbia 1962

Mais uma estreante em Copas, a Colômbia conquistou a sua vaga em 1966 contanto com a sorte. Para começar o Paraguai, forte concorrente a ir à Copa teve que disputar a vaga contra os países das Américas do Norte e Central em um play-off intercontinental. Além disso, Brasil e Chile já estavam classificados previamente, por serem o último campeão e o país sede respetivamente. Com ainda três vagas em disputa e poucos times disputando a Colômbia conseguiu fugir dos poderosos Uruguai e Argentina, e foi sorteada para disputar a vaga contra a Seleção do Peru. Depois de uma vitorias por 1 a 0 e um empate em 1 a 1 os colombianos conquistavam sua vaga para a Copa do Mundo

No entanto, a sorte que eles demostraram nas eliminatórias não os acompanhou no sorteio da Copa. Los Cafeteros, caíram em um grupo extremamente forte com o próprio Uruguai, a União Soviética e a Iugoslávia.

A estreia colombiana em Copas foi contra o antigo rival sul-americano que tinha ampla no confronto direto. Ainda assim, os colombianos saíram na frente do placar aos 19 minutos de jogo e ainda no primeiro tempo mandaram uma bola na trave. Contudo, no segundo tempo a sorte mudou de camisa e o Uruguai conseguiu empatar ainda no início. Alguns minutos depois o lateral colombiano Zuluaga sofreu uma fratura na perna e com um a menos os colombianos não conseguiram mais segurar a equipe uruguaia que virou a partida e venceu por 2 a 1.

 A segunda partida foi contra a União Soviética. Como esperado os soviéticos iniciaram a partida massacrando a Colômbia e com 11 minutos de partida os europeus já tinham feito três gol. Tudo indicava uma goleada histórica, mas no início do segundo tempo os soviéticos venciam por apenas quatro a um. Aos poucos a Seleção Colombiana foi se encontrando no jogo e nos últimos minutos de partidas marcaram três gols conquistando um empate inimaginável. Anos depois o árbitro brasileiro João Etzel Filho confessou ter ajudado os colombianos nessa partida.

Na última partida o adversário foi a Iugoslávia que precisava vencer para ir à próxima fase. O jogo foi um verdadeiro massacre e os iugoslavos venceram por 5 a 0. Os colombianos nem de longe conseguiram repetir o desempenho do jogo anterior em parte pela falta de ajuda do arbitro, mas também porque estavam se arrastando em campo, afinal eles haviam passado os últimos quatro dias festejando o empate contra os soviéticos. Com duas derrotas e um empate os colombianos terminaram sua participação em Copas na 14ª colocação.

Apesar de hoje ser conhecida por usar camisa amarela, a Seleção Colombiana variou muito as cores dos seus uniformes durante os anos, usando até camisas laranjas durante as décadas de 70 e 80. Na Copa de 1962 o uniforme colombiano era comporto por uma camisa azul escura com o logo no peito, calção e meias brancas. Contudo, essa versão do uniforme só foi usada na estreia contra o Uruguai e na última partida, contra a Iugoslávia.

PRIMEIRO UNIFORME

Na partida contra União Soviética que também usava calções brancos, os colombianos improvisaram um calção negro.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Efraín Sánchez acabou usando três versões semelhantes, mas diferentes uma em cada partida. Variando entre uma camisa com a gola alta e o logo no peito e uma camisa sem gola e sem logo, e também variou entre calção branco e preto.

UNIFORME DE GOLEIRO

Contra o Uruguai

UNIFORME ALTERNATIVO DE GOLEIRO

Contra a União Soviética

Contra a Iugoslávia

Bulgária 1962

Pela primeira vez na história a Bulgária conseguiu se classificar para uma Copa e apesar de ser uma equipe desconhecida, passou pela França nas eliminatórias.

Contudo a estreante em Copas caiu em um grupo complicado, com a Argentina vizinha da sede, a Inglaterra inventora do futebol e a Hungria o terro da década anterior.

A estreia foi contra a Argentina, que abriu o placar logo aos 4 minutos de jogo. Depois disso, no entanto, os búlgaros conseguiram endurecer o jogo na base da virilidade e nada mais aconteceu na partida. Sem conseguir criar muito no campo ofensivo os búlgaros perderam por 1 a 0.

O jogo seguinte foi contra a Hungria e a Bulgária parece que entrou novamente dispensa em campo. O primeiro gol húngaro foi aos 45 segundo de jogo e ao final da primeira etapa a Bulgária já havia tomado 4 gols. No segundo tempo os búlgaros conseguiram marcar seu primeiro gol em Copas, mas tomaram mais dois e a partida terminou com indiscutíveis 6 a 1.

A derrota tirou qualquer chance de os búlgaros passarem para a próxima fase, sendo assim a última partida contra a Inglaterra seria apenas para cumprir tabela. Mesmo sem ter nada a perder o medo de uma nova goleada era tanta que a Bulgária se fechou na defesa. Por outro lado, para a Inglaterra bastava o empate para seguir na competição, o resultado foi um jogo e que ninguém tinha interesse em atacar e o placar final de 0 a 0 foi a consequência óbvia.

Com esse empate na última partida a Bulgária fugiu da última colocação, terminando o seu primeiro mundial em 15º lugar.

Nessa época o uniforme da Seleção Búlgara era bem simples e sem grandes detalhes, a combinação principal era toda branca com o brasão de armas no centro da camiseta e a numeração em vermelho. Essa camisa foi usada contra a Hungria e contra a Inglaterra.

PRIMEIRO UNIFORME

No entanto, na estreia contra a Argentina os búlgaros jogaram com a camisa reserva, que era vermelha com a numeração em verde.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Georgi Naidenov disputou essa Copa com um uniforme todo negro e com a gola branca. Nas partidas contra a Argentina e contra a Hungria ele jogou com meias brancas.

UNIFORME DE GOLEIRO

Mas na partida contra a Inglaterra as meias também foram pretas.

UNIFORME ALTERNATIVO DE GOLEIRO

Suíça 1962

Depois da ausência em 58, os suíços estavam de volta à Copa do Mundo em 1962. Nas eliminatórias a vaga foi decidida em um jogo desempate contra a Suécia em Berlim e os suíços venceram por 2 a 1.

A equipe “cruz vermelha” ficou mundialmente conhecida pelo futebol duro, competitivo e excessivamente defensivo. E jogando dessa forma obteve desempenho razoável nas Copas anteriores. Contudo em 62 os suíços caíram em um grupo muito complicado com o anfitrião Chile e as campeãs mundiais Alemanha e Itália.

A estreia foi na partida inaugural da Copa e contra os donos da casa. Surpreendentemente os suíços abriram o placar logo no início do jogo e depois disso fizeram o que tinham de melhor, se trancaram na defesa. A estratégia funcionou até o final do primeiro tempo, quando a Seleção Chilena conseguiu empatar. Na segunda etapa, com o apoio da torcida, os chilenos marcaram mais duas vezes e venceram por 3 a 1.

O segundo adversário foi a poderosa e vizinha Alemanha. Como o esperado o jogo foi extremante duro e viril, ainda no primeiro tempo o meia alemão Szymaniak deu uma entrada muito violenta em Eschmann que não conseguiu continuar na partida. Com um jogador a menos a Suíça não aguentou ritmo do jogo e tomou dois gols, um no final do primeiro tempo e outro no início do segundo. Já na parte final da partida os suíços conseguiram marcar, mas isso não impediu a derrota por 2 a 1.

Com duas derrotas a Seleção Suíça chegou a última partida sem chances de classificação, assim como a Itália. Esse clima de amistoso e um gol sofrido nos primeiros minutos do jogo acabaram com a proposta suíça. No segundo tempo dois gols italianos em sequência deram números finais ao placar. Com a derrota por 3 a 0 a Suíça não ficou apenas na última posição do grupo, mas na última posição entre as 16 Seleções participantes dessa Copa.

Apesar de disputar apenas 3 partidas nesse Mundial os suíços não repetiram o uniforme nenhuma vez. Na estreia, eles usaram o considerado “uniforme titular”, camisa vermelha com a cruz branca no peito, calção branco e meias pretas com detalhes em vermelho e branco.

PRIMEIRO UNIFORME

Na segunda partida o adversário foi a Alemanha que também usava meias pretas e por isso, nesse jogo os suíços entraram em campo com as meias brancas.

UNIFORME ALTERNATIVO

Na última partida o problema era a Itália, que usava calções brancos e dessa vez a Suíça entrou toda de vermelho, mantendo as meias brancas.

UNIFORME ALTERNATIVO

Ainda assim, o goleiro Karl Elsener, que disputou todas as partidas desse Mundial, usou o mesmo uniforme nas três ocasiões. A camisa verde, tradicional para a Suíça na época, com o logo vermelho e a cruz branca no peito e o calção e as meias brancas.

UNIFORME DE GOLEIRO

Brasil 1958

Depois do trauma de 50 e a campanha apenas razoável de 54 o Brasil chegava à Suécia com muito a provar. Ainda nas eliminatórias o Brasil sofreu para passar pelo Peru e quando chegou à Copa teria que enfrentar um grupo muito complicado com a Áustria e as poderosas Inglaterra e União Soviética.

A estreia foi contra a Seleção Austríaca e a partida foi relativamente tranquila, apensar de segurar o empate por quase todo o primeiro tempo, a Áustria não conseguiu fazer frente para os brasileiros que venceram por 3 a 0.

No segundo jogo, contra a Inglaterra, as coisas começaram a complicar. Os dois goleiros tiveram ótima atuação e conseguiram superar os ataques, construindo assim o primeiro 0 a 0 da História das Copas.

Com a baixa produção do ataque brasileiro o técnico brasileiro Vicente Feola buscava alternativa para a próxima partida até que em uma conversa informal com os jornalistas Arnaldo Nogueira e Luiz Carlos Barreto e o lateral Nilton Santos surgiu a ideia de colocar no time um certo ponta direita de pernas tortas e um jovem garoto de apenas 17 anos. Garrincha e Pele entraram no time para não sair mais e ajudaram o Brasil a vencer a União Soviética por 2 a 0.

O Brasil se classificou em primeiro lugar e nas quartas enfrentou a Seleção do País de Gales. O time britânico tinha vários desfalques no ataque o que o forçou a se postar na defesa. Mesmo com a intensa artilharia do ataque brasileira o jogo permaneceu amarado e sem gols até o meio do segundo tempo quando o jovem Pele pegou uma bola dentro da área e de virada colocou no canto do goleiro galês. Com esse gol Pele colocou o Brasil nas semifinais e ainda se tornou o jogador mais novo a marcar em Copas (marca que permaneceu até o Mundial de 82).

 O adversário da semifinal era o oposto do anterior, a França possuía o melhor ataque e o artilheiro da competição (Just Fontaine). Por outro lado, o Brasil ainda não havia sofrido nenhum gol até então. O jogo que prometia ser muito disputado viu o seu primeiro gol logo aos 2 minutos de jogo quando o atacante Vavá abriu o placar para o Brasil. Logo na sequência a França empatou, mas daí em diante o Brasil tomou conta da partida fazendo quatro gols na sequência. A França ainda diminuiu, contudo, a vitória por 5 a 2 e a vaga para a final já estavam garantidas.

A grande final foi contra a dona da casa e a primeira disputa foi sobre o direito de usar o uniforme principal, já que as duas equipes usavam uniformes praticamente idênticos. Em um sorteio ficou definido que o Brasil teria que usar um uniforme alternativo, o que preocupou o técnico Feola, pois isso poderia afetar o moral da equipe. Para solucionar o problema a comissão técnica conseguiu improvisar camisas azuis, bordando os escudos e os números em cima da hora, e Feola disse aos jogadores que eles seriam campeões, pois entrariam em campo vestindo o manto de Nossa Senhora Aparecia. A estratégia funcionou e mesmo com um gol sueco logo no início da partida o Brasil conseguiu a virada repetindo o 5 a 2 da semifinal.

Com essa vitória indiscutível o Brasil conquistou o seu primeiro título de Campeão Mundial e entrou definitivamente para a História como uma das maiores Seleções do mundo.

Uma das maiores curiosidade sobre o Brasil nessa Copa fica por conta da numeração dos atletas que estava completamente descaracterizada. Até hoje não se sabe ao certo o motivo da confusão, a versão mais comum é de que a Confederação Brasileira, não mandou a relação dos jogadores a tempo à FIFA e esta tratou de numerar os jogadores por conta própria, outra versão defendida por Zagalo é que a FIFA adotou a numeração presente na bagagem dos jogadores na hora do desembarque. O fato é que quase todos jogaram com a numeração trocada, como Garricha que jogou com a 11 no lugar da 7 e do próprio Zagalo que jogou com a 7 no lugar da 11, mas o mais estranho foi o goleiro Gilmar que teve que improvisar um número 3 na sua camisa. Ainda assim, os “Deuses do Futebol” garantiram que o Rei PELE estreasse em Copas com 10.

Na Copa o Brasil voltou a usar a camisa amarela com detalhes em verde, mantendo o calção azul e as meias brancas. Esse uniforme foi usado nas 5 primeiras partidas.

PRIMEIRO UNIFORME

Contudo, na grande final o Brasil usou camisas azuis pela primeira vez em Copas e com a conquista estabeleceu definitivamente esta como sua camisa reserva. O uniforme ainda era completado por calções e meias brancas.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Gilmar usou um uniforme escuro em todas as partidas, a camisa era azul, o calção preto e as meias cinzas. Curiosamente ele atuou com a camisa 3 nessa Copa e é possível notar que a numeração foi improvisada com um tecido por cima da camisa original.

UNIFORME DE GOLEIRO

Suécia 1958

A Suécia sediou a Copa de 1958 e por isso não precisou disputar asa eliminatórias. O time era composto por veteranos da Copa de 1950 e até do título Olímpico de 1948.

A estreia foi também a abertura da Copa e aconteceu cinco horas das outras partidas do dia. Foi uma verdadeira festa e até o Rei Gustaf VI Adolf apareceu para discursar e cumprimentar os jogadores. Quando a bola finalmente rolou a festa continuou e os suecos venceram a fraca Seleção Mexicana por 3 a 0.

O primeiro grande teste veio na segunda partida, contra a poderosa Hungria. A partida estava disputada até o fim do primeiro tempo quando a zaga húngara deu um gol de presente para os anfitriões. No segundo tempo a Suécia quase sofreu o empate, mas logo na sequência conseguiu ampliar. Os húngaros ainda tiveram tempo para anotar um gol e a partida terminou 2 a 1.

A última partida da terceira fase foi contra o País de Gales. Os suecos, já classificados com duas vitorias, entraram em campo com um time misto e mesmo com a necessidade da vitória dos galeses o jogo não teve muitas chances de gol e terminou em 0 a 0.

Nas quartas os suecos enfrentaram a União Soviética e o jogo foi muito disputado. No início do segundo tempo a Suécia abriu o placar, aproveitando o cansaço dos soviéticos que vinham de uma parida desempate. Depois do gol a Seleção Soviética partiu para o ataque e os suecos salvaram uma bola em cima da linha no final da partida os donos da casa ainda fizeram mais um garantindo a vitória por 2 a 0.

A Suécia chegou a semifinal, mas a imprensa mundial acreditava que esse seria o seu limite isso porque a Alemanha era a franca favorita. A Alemanha até abriram o placar, mas os suecos com uma boa ajuda da arbitragem conseguiram empatar ainda no primeiro tempo. No segundo, com dois jogadores a menos (um expulso e um machucado) os alemães não foram pareô para os donos da casa que venceram por 3 a 1.

A torcida local mal podia acreditar, a Suécia estava na final e o sonho parecia cada vez mais perto quando logo aos 4 minutos de jogo os suecos abriram o placar. Contudo, do outro lado estava a poderosa Seleção Brasileira que logo na sequência empatou e ainda fez mais três gols depois disso cada equipe ainda fez mais um gol. Com a derrota por 5 a 2 os suecos ficaram com o vice-campeonato, sua melhor colocação na história.

Nessa Copa a Seleção Sueca disputou todas as partidas com seu uniforme tradicional, camisa amarela com a bandeira nacional no peito com calção e meias azuis.

PRIMEIRO UNIFORME

O goleiro Kalle Svensson usou um uniforme todo azul em todas as partidas dessa Copa com exceção da final.

UNIFORME DE GOLEIRO

Na grande Final o Brasil jogou com camisas azuis e por isso Svensson teve que trocar de uniforme e jogou com uma camisa preta.

SEGUNDO UNIFORME DE GOLEIRO

França 1958

Depois de passarem com facilidade por Islândia e Bélgica nas eliminatórias, os franceses chegaram à Copa  de 58 tentando finalmente obter um bom resultado.

Eles eram um dos favoritos do grupo, mas os adversários, Paraguai, Escócia e Iugoslávia, tinham em comum a característica de um futebol muito duro e viril.

A estreia foi contra os sul-americanos, e a partida foi uma verdadeira chuva de gol. O Paraguai abriu o placar, sofreu a virada e passou a frente novamente, mas no segundo tempo eles perderam um jogador machucado e a França fez cinco gols na sequência vencendo a partida por 7 a 3.

A partida seguinte foi contra a Iugoslávia, que apesar de ter tropeçado na estreia ainda era o grande adversário do grupo. Como previsto o jogo foi duro, a França abriu o placar logo aos 5 minutos, depois disso a Iugoslávia dominou a partida e conseguiu a virada. Os franceses ainda empataram, mas o jogo terminou 3 a 2 para a Iugoslávia.

Na última partida da primeira fase os franceses só precisavam de um empate, mas a Escócia estava com 6 desfalques por lesão e dessa forma não conseguiram fazer frente ao adversário. Os gauleses venceram por 2 a 1 ficando na primeira colocação do grupo devido ao saldo de gols.

Nas oitavas o adversário foi a estreante em Copas, Irlanda do Norte. Na primeira fase eles haviam eliminado a forte seleção Tcheca, mas o preço foi bem alto, a decisão só veio depois de um jogo desempate com prorrogação. Além disso, o goleiro titular estava lesionado, mas teve que jogar no sacrifício já que o reserva estava ainda pior. Dessa forma os irlandeses não foram páreo para o poderoso ataque francês que goleou por 4 a 0.

 Então veio a semifinal, a confiança no triunfo era tanta que todas as esposas, noivas e namoradas dos jogadores francesas foram convidadas a ir assistir ao jogo na Suécia. O otimismo se justificava pelo incrível ataque francês que já havia marcado 15 gols em apenas 4 jogos, no entanto do outro lado estava a melhor defesa da Copa até então, a Seleção Brasileira ainda não havia tomado nenhum gol. O jogo mal havia começado e o Brasil já estava na frente com um gol aos 2 minutos do primeiro tempo, logo na sequência, aos 9 os franceses empataram. Depois disso foi um verdadeiro massacre, o Brasil marcou quatro vezes seguidas, no final a França ainda conseguiu diminuir, mas foi eliminada perdendo por 5 a 2.

Na decisão de 3º e 4º novamente os franceses foram favorecidos peles desfalques do rival, apenas metade do time titular da Alemanha conseguiu entrar em campo. Os franceses venceram com tranquilidade por 6 a 3 em mais um show de Fontaine que marcou 4 vezes. Com o resultado a Seleção Francesa terminou na 3ª colocação e ainda registrou o artilheiro da Copa, o até então desconhecido Fontaine marcou incríveis 13 gols em apenas 6 partidas.

Até 1954 a Seleção Francesa disputou todas as partidas em Copas com o mesmo uniforme, a tradicional camisa azul com um galo no peito, calção branco e meias vermelhas e isso não foi diferente nas 6 partidas que disputou nessa Copa.

PRIMEIRO UNIFORME

Os goleiros François Remetter e Claude Abbes usaram uniformes muito parecidos nessa Copa, ambos eram negros com as meias vermelhas, mas o de Remetter tinha uma listra vermelha no peito enquanto o de Abbes tinha uma listra Azul.

UNIFORME DE GOLEIRO

Alemanha 1958

A Alemanha chegou à Copa de 1958 com status de Campeã mundial e por isso, não precisou disputar as eliminatórias. Ainda assim, o time titular tinha apenas três remanescentes do milagre de Berna (Final da Copa de 54 em que a Alemanha venceu a Hungria, contra todas as expectativas), entre eles os astros Helmut Rahm e  Fritz Walter.

A estreia foi contra a Argentina, mas o jovem time alemão ainda estava se aquecendo na partida quando os sul-americanos marcaram o primeiro gol, com apenas 3 minutos de jogo. Depois disso o time recuperou o folego e partiu para o ataque, quando o primeiro tempo acabou os germânicos já venciam por dois a um. No segundo tempo eles ainda tiveram tempo para marcar novamente, vencendo a partida por 3 a 1.

Na segunda partida os alemães entraram em campo muito mais ligado e antes dos 20 minutos tempo já tinham acertado uma bola na trava, o goleiro Doljsi já havia feito uma grande defesa e um zagueiro tcheco tinha salvado uma bola em cima da linha. Contudo, depois disso o contra-ataque da Tchecoslováquia deu resultado e eles conseguiram marcar duas vezes no primeiro tempo. Na segunda etapa a Alemanha pressionou ainda mais e conseguiu buscar o empate em 2 a 2.

O último adversário da primeira fase foi a Irlanda do Norte e novamente os alemães saíram atras do placar, mas dessa vez eles conseguiram empatar logo na sequência. Na segunda etapa o filme se repetiu, os irlandeses marcaram mais uma vez e os germânicos empataram em 2 a 2. Isso foi o suficiente para eles passarem para a próxima fase em primeiro lugar do grupo.

Nas quartas, assim como em 54, o adversário foi a Iugoslávia. E o jogo parecia ser uma continuação da mesma partida quatro anos depois. A Iugoslávia com um futebol mais técnico e criativo e a Alemanha com seu futebol mecânico e pragmático, novamente quem decidiu o jogo foi Helmut Rahm. A única diferença é que dessa vez a Alemanha venceu por apenas 1 a 0.

Os alemães chegaram como favoritos na semifinal, mas o adversário seria a Suécia, a dona da casa. O jogo foi intensamente disputado, mas claramente os anfitriões contaram com uma ajuda significativa do arbitro húngaro Istvan Szolt.  Quando o jogo ainda estava empatado o juiz não marcou um pênalti em Rahn, contudo, pouco depois os germânicos conseguiram abrir o placar. Ainda no primeiro tempo o árbitro ignorou um toque na mão do atacante sueco Nils Liedholm e no mesmo lance eles conseguiram empatar. No início da segunda etapa os jogadores Hamrin da Suecia e Juskowiak da Alemanha, se desentenderam e partiram para a agressão, mas o juiz expulsou apenas o alemão. Aos 30 minutos foi a vez de Fritz Walter ser agredido e ficar praticamente inutilizado para o jogo, com dois a menos a Alemanha não conseguiu resistir a intensidade sueca e tomou dois gols nos últimos 10 minutos da partida, perdendo por 3 a 1. A violência vista nesse jogo mobilizou a FIFA a iniciar a campanha do fair play em Copas.

Na decisão de 3º e 4º os alemães, com um time misto, foram derrotados pela França com uma chuva de gols e um show de Fontaine, 6 a 3 foi o placar.

A Seleção Alemã usou apenas um uniforme nas 6 partidas que disputou nessa Copa, a tradicional combinação de camisa branca com calção preto e as meias que até então também eram pretas.

PRIMEIRO UNIFORME

Os goleiros Fritz Herkenrath e Heinz Kwiatkowski usaram um uniforme todo negro no Mundial, também tradicional da Alemanha até então.

UNIFORME DE GOLEIRO